Por Renato Pitanga
A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos disparou uma crise política de proporções internacionais. O parlamentar, derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro de 2026 para Luiz Inácio Lula da Silva, desembarcou na Flórida após uma complexa operação que envolveu a cúpula diplomática norte-americana e governos vizinhos da América do Sul.
A confirmação da chegada do senador a Miami partiu inicialmente de Simón Levy, empresário mexicano e aliado próximo de Donald Trump. Levy revelou a articulação e apontou uma figura-chave como mentora intelectual.
Do Descumprimento Judicial à Fronteira Terrestre
A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu em meio a um forte embate com o Judiciário brasileiro. No domingo das eleições (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a apreensão dos passaportes comum e diplomático do senador (incluindo seu passaporte italiano), proibindo-o de deixar o país. A medida foi tomada em caráter sigiloso em um inquérito que investiga lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.
A Polícia Federal (PF) já havia alertado sobre o risco “concreto e atual” de fuga com base em declarações públicas do irmão do parlamentar, Eduardo Bolsonaro, que aconselhara Flávio a deixar o país em caso de derrota. Flávio não cumpriu o prazo limite das 11h de terça-feira (27) para a entrega dos documentos, o que resultou no cancelamento compulsório de seus passaportes pela PF. Como não há mandado de prisão expedido, ele tecnicamente não é considerado foragido pela Justiça, embora tenha violado diretamente a ordem cautelar.
O Departamento de Estado dos EUA, comandado por Marco Rubio, confirmou que o órgão concederá vistos a Flávio Bolsonaro e sua família, permitindo a permanência legal em território norte-americano. Para mais detalhes sobre os procedimentos internos das autoridades americanas nesta operação, consulte os canais oficiais de comunicação do governo dos Estados Unidos.
Em declarações à imprensa nesta quarta-feira (28), o presidente Donald Trump validou publicamente o movimento:
Enquanto aliados afirmam que o senador planeja fixar residência definitiva e solicitar formalmente asilo político nos Estados Unidos, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil tenta gerenciar o desgaste diplomático. O chanceler brasileiro Mauro Vieira tem reunião agendada com Marco Rubio para tratar da crise e da aparente interferência de autoridades norte-americanas no cumprimento de ordens emitidas pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro.








