Por Renato Pitanga
Melhoria na Qualidade do Ar em Manaus Reflete Esforços de Combate a Incêndios no Amazonas
Por volta das 7h desta quinta-feira, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), identificou índices mais baixos de poluição atmosférica em Manaus. A redução nos indicadores traz um alívio temporário para a população da capital, que vinha enfrentando dias consecutivos de fumaça densa decorrente das queimadas na região.
De acordo com os dados do sistema Selva, as medições de partículas finas na atmosfera variaram entre 11,5 e 32,7 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Essa variação resultou em cenários distintos dependendo da localidade. Bairros como Chapada, Aparecida, Aleixo, Petrópolis e Morro da Liberdade apresentaram qualidade do ar classificada como boa. Por outro lado, no Coroado e em áreas próximas ao Distrito Industrial, os indicadores permaneceram na categoria moderada, exigindo atenção contínua.
O Impacto dos Incêndios e a Atuação dos Bombeiros
A oscilação na qualidade do ar está diretamente ligada à crise climática e de queimadas que atinge o estado. Entre junho e 20 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou um total de 3.789 ocorrências de incêndios urbanos e florestais.
Para conter o avanço do fogo, as equipes de resgate e combate atuaram diretamente em 23.527 focos de incêndio no mesmo período. A distribuição dessas operações revela a magnitude do desafio:
4.708 focos foram combatidos na capital, Manaus.
18.819 focos foram enfrentados em municípios do interior do estado.
Medidas Restritivas e Decretos de Emergência
Diante do cenário crítico, o governo estadual adotou medidas severas de prevenção e resposta. Foi estabelecida a proibição total do uso do fogo por um período de 120 dias em todo o território do Amazonas, respeitadas as exceções previstas na legislação vigente.
Além disso, foram assinados decretos de situação de emergência com validade de 180 dias em duas frentes principais: nas áreas diretamente afetadas pelos incêndios florestais e em todo o estado devido à estiagem severa. Esses mecanismos jurídicos são fundamentais para desburocratizar e agilizar a liberação de recursos financeiros, além de ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança e Defesa Civil.
Monitoramento e Conscientização
O enfrentamento da crise combina tecnologia de ponta e mobilização social. O monitoramento das queimadas continua sendo realizado em tempo real por meio de imagens de satélite, em um esforço conjunto que envolve a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
Paralelamente à fiscalização e ao combate direto, as ações de conscientização desempenham um papel estratégico a longo prazo. As iniciativas do Estado incluem atividades de educação ambiental, as quais alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto de 2026, buscando engajar a sociedade civil na preservação dos biomas e na prevenção de novos focos de incêndio.








